Não existe um potencial maior para a vergonha dolorosa do que a rejeição. Este é um truísmo para todos os relacionamentos. Mas no caso das pessoas com uma base de vergonha, a rejeição se assemelha à morte. Nós rejeitamos a nós mesmos, e o fato de outra pessoa nos rejeitar prova o que mais tememos, ou seja, que somos pessoas imperfeitas e defeituosas. A rejeição para nós significa de fato que não somos desejados e passíveis de sermos amados.
Existem graus de rejeição, que vão desde o funcionário da loja que não sorri para nós a sermos rejeitados e abandonados por alguém que amamos. A dor dessa rejeição é ao mesmo tempo física e emocional. É como se uma faca estivesse sendo enfiada em nosso peito. Eu só experimentei uma vez; certamente não gostaria de senti-la de novo. Já tive inúmeros clientes que estavam passando pela dor desse tipo de separação.
Todas as técnicas que descrevi podem ser úteis, quando estamos sentindo a dor de um coração partido. Quanto mais tivermos feito o trabalho com a dor original e abandonando nossos enredos familiares vinculados à fantasia, melhor conseguimos lidar com a rejeição. Se ainda estivermos enredados e vinculados à fantasia, a rejeição equivale à morte. Para uma pessoa com um vínculo de fantasia, a rejeição exerce um impacto sobre a criança ferida e solitária que nunca resolveu a dor original.
Portanto, recomendo enfaticamente que você faça um trabalho com a dor original e a criança interior, como uma maneira de diminuir a dor de possíveis perdas futuras. Quanto mais você tiver diferenciado e separado, melhor conseguirá lidar com a separação e a solidão.
Recomendo o livro Necessary Losses de Judith Viorst. Ele o ajudará a aceitar o fato de que as perdas são uma parte necessária da condição humana.
Pensei certa vez em escrever um livro semelhante. Eu queria chamá-lo de “sinto a dor, logo existo”. Eu queria mostrar que viver bem significa sentir bem a dor ou fazer bem o luto. Tudo que você já fez terminou. A vida é uma despedida prolongada. O luto é o processo que termina as coisas. O fim do luto é renascer. Assim, viver bem é fazer bem o luto.
Ao passar pela dor da rejeição pessoal, você precisa de legitimação, apoio social e tempo. Você precisa que uma outra pessoa carinhosa e importante esteja com você. Você precisa que seus sentimentos sejam reflectidos e ratificados. O ideal é que tenha mais de uma pessoa importante. Esta é a vantagem de participar de um grupo de 12 passos ou de qualquer outro tipo de grupo de apoio.
O luto atravessa todos os estágios que descrevi: choque, negação, regateio, depressão, raiva, remorso, tristeza, dor, solidão etc. Você precisa tempo para atravessar seus estágios do luto. A pior coisa que você pode fazer é envolver-se às pressas em um nove relacionamento para ver se conserta rapidamente as coisas. Já vi isso acontecer de uma maneira desastrosa. O nove relacionamento encobre o âmago da dor, resultando em outra camada de dor inacabada. Sentir a dor de uma rejeição é um processo demorado. Fique perto de relacionamentos carinhosos e que lhe dão apoio. Você é alguém precioso e que tem valor, apesar de outra pessoa tê-lo deixado.
Lembre-se, finalmente, de que sua “vergonha interiorizada” é proveniente dos seus abandonos da infância. Seu maior medo (a rejeição) já aconteceu e você sobreviveu a isso. Você era uma criança carente, vulnerável e imatura e você sobreviveu. Uau! E você pode sobreviver de novo e certamente sobreviverá.
Tirado do livro: “Curando A Vergonha Que Impede De Viver” de John Bradshaw