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Sylvie Shene 


 

Carta Aberta à Escola das Pedras

 

Exmos Senhores

 

Esta carta tem como objectivo explicar os motivos que me levam a pedir a transferência do meu filho da Escola das Pedras para a Escola Jasmim.

 
O meu filho que estava tão entusiasmado com o início das aulas ao fim de um mês de permanência nessa escola andava triste e já não queria ir para a escola.

 
O sistema de ensino não está a motivar, nem a incentivar as crianças a gostarem da escola e está a desmotivar as crianças a aprenderem o que é muito grave para um País que pretende sair da cauda da Europa em relação ao insucesso escolar e analfabetismo.

 
No 2º dia de aulas a professora disse ao meu filho que o desenho dele estava muito feio.O meu filho teve um grande desgosto, pois a professora Corina da pré-escola incentivava imenso as crianças a desenharem e até expunha o trabalho de todas as crianças.  O meu filho teve muitos trabalhos expostos nessa escola no findo ano lectivo.

 

O meu filho chorou imenso, nem sequer conseguiu comer o pão que levava para o lanche.  A professora não teve a mínima compaixão pelo sofrimento do meu filho e ainda disse que o passava para a pré-escola.  Não o respeitou nas duas situações.  Desde esse dia que o meu filho que adorava desenhar, em casa fazia-o habitualmente nunca mais pegou no papel nem na caneta.  Já falei com o Francisco sobre este problema várias vezes dizendo a verdade ao meu filho, que ele desenha muito bem, que tem um dom para o desenho mas o certo é que ele não tem desenhado como o fazia.  Este acontecimento marcou-o muito pela negativa e foi um desgosto tão grande para ele e não sei quanto tempo vai demorar para o ultrapassar.  Tenho a capa do ano passado com todos os trabalhos do meu filho, que com 5 anos mostra bem as suas capacidades, para as professoras que quiserem ver.  Falei com a professora Cândida sobre este assunto e pedi-lhe para ir à capa ver o desenho que tem o mar.  Simplesmente é um mar agitado e revolto com ondas grandes e incertas com o verdadeiro mar nas marés vivas.  O meu filho é uma criança extremamente observadora e conhece as características do mar e das ondas e é perfeitamente natural e compreensível que no 2º dia de aulas a mente dele estivesse agitada pois estava no 2ºdia de escola primária com uma professora nova e também alguns novos colegas e tudo isso passou para o desenho.

 

Na 2ª semana de escola a professora bateu com a régua ao meu filho para ele se sentar.

 

Ele estava sentado mesmo à frente do quadro lateral e levantou-se para apagar o que os colegas estavam a desenhar e a professora bateu aos 3 meninos.

 

Ainda não tinha decorrido o 1ºmês de aulas e a professora mudou todas as crianças dos lugares iniciais onde estavam sentados e ordenou-os pelos bons, mais-ou-menos e maus.

 

Tem as crianças divididas por estes critérios. Considero esta divisão gravíssima para todas as crianças e peço a igualdade para todas as crianças da sala incluindo o Rodrigo que é o menino que passa mais tempo do lado dos maus, independentemente do comportamento (que é um sintoma que algo se passa com a criança), da facilidade/dificuldade de aprendizagem, tempo de aprendizagem (que varia de criança para criança) ou tempo que demoram a desenhar as vogais ou os ditongos ou a fazer qualquer outro exercício.  Gostaria muito que lessem o artigo da Jan Hunt, psicóloga e directora do “ The Natural Child Project” intitulado “Notas Escolares:Úteis ou Nocivas?”

 

A professora permitiu que uma mãe entrasse na sala de aula e desse autorização para bater no seu filho, caso ele precisasse de “apanhar”.  O mais grave é que essa mãe é directora da Escola das Pedras e estando a ocupar o cargo de directora deveria dar o exemplo máximo de respeito para com as crianças e principalmente com o seu próprio filho que pertence a esta classe.
Quanto à assiduidade já faltou dois dias e meio o que obrigou à sua substituição e logo as crianças tiveram de se adaptar a mais 2 novos professores para além da adaptação à professora Cândida que ainda se estava a efectuar.

 
Existe também um problema de segurança nos recreios da manhã e da tarde.Nos recreios as crianças não estão a ser devidamente acompanhadas porque existe falta de colaboradores.  As crianças não estão em segurança, alguns meninos do 4ºano vêm bater nos do 1ºano e claro que estes com 5 e 6 anos não se podem defender dos de 9 ou 10 anos.  A força e a altura destes não permite que isso aconteça e por vezes vêm 2 ou 3 contra um dos mais pequenos.  Está a acontecer diariamente.  Dois meninos da 4ª classe vieram ter com o meu filho e um pegou nele e segurou-o e o outro bateu-lhe. O que venho sugerir é que as professoras ajudem as auxiliares e também tomem conta das crianças no recreio.  A responsabilidade de todas as professoras não deveria terminar com o toque da campainha para o recreio mas sim manter-se durante todo o período em que estiverem na escola.  Tive conhecimento que no ano passado no recreio, na parte de trás da escola, um menino foi brincar nos montes caiu do muro abaixo e desmaiou.  É necessário e urgente para que tal não volte a acontecer proteger aquela zona com redes, de maneira a não permitir que as crianças tenham acesso a esse sítio para brincarem.  As crianças por natureza são muito corajosas e aquele espaço deveria estar resguardado.

 

Quanto à questão da alimentação o meu filho almoçava algumas vezes na cantina, os dias em que almoçava eram somente os dias em que não podia ir buscá-lo.  Recebi o seguinte aviso por parte da colaboradora que está no portão na entrada das 9 da manhã:”Pediram-me para a avisar que o seu filho não pode almoçar na escola só nos dias de carne e que estão preocupados com a roda dos alimentos do Francisco”.  Quando efectuo a compra das senhas na Junta de Freguesia, o funcionário pergunta-me sempre quantas senhas é que eu quero comprar.  A pergunta que faço é esta:o meu filho para poder usufruir da cantina tinha de almoçar sempre ou podia almoçar somente nos dias em que precisava?

 

A questão que também coloco é a seguinte:qual o enquadramento legal para manterem o portão fechado à chave e não permitirem aos pais a entrada na escola (que mais parece uma prisão).Considero a escola um espaço interactivo entre alunos,professores e pais o que não é possível derivado a esta regra imposta pelo agrupamento.

 

Perante este quadro negro a pergunta que faço é a seguinte:é permitido aos pais em Portugal ensinarem os seus filhos em casa e no 4ºano ou no fim de cada ano lectivo fazerem um exame e dar-lhes equivalência como se tivessem frequentado a escola(sei que nos EUA este sistema está implementado).

 

Peço muito aos responsáveis deste agrupamento que leiam com toda atenção estes problemas que serão só alguns dos problemas totais da Escola das Pedras e que tomem as medidas necessárias para resolver os problemas e poder tornar esta escola numa escola melhor, mais justa e mais fraterna porque a sala de aula ainda fica com 24 meninos que precisam de se tratados com Respeito e em Igualdadade para poderem aprender.  Esta fase, da escola primária, é decisiva na vida de qualquer criança e está nas vossas mãos modificá-la e acredito que todos os profissionais dessa escola poderão crescer e melhorar.  A escola para onde mudou o meu filho é o sonho tornado realidade por uma pessoa que estudou no Brasil e tem tão boas recordações da sua escola primária que resolveu construir uma em Portugal, parecida e com um método de ensino completamente diferente.É a Escola Jasmim.Gostaria que também tomassem conhecimento do site com o endereço www.sylvieshene.com onde tem os links para o “The Natural Child Project” , site este que foi construído por uma pessoa que se preocupa muito com as Crianças.

 

Cumprimentos,

 

Fernanda Soares e seu filho Carlos Francisco Soares dos Anjos

 

 

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